Sábado, 11 de Julho de 2009,19:35
Weekend Tip
"If you can attain repose and calm, believe that you have seized happiness."
Julie-Jeanne-Eleonore de Lespinasse

Aos fins-de semana as Dicas são minhas! hehehehe
 
Pensado por Hélio
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Sexta-feira, 10 de Julho de 2009,19:51
"The trick is not how much pain you feel - but how much joy you feel. Any idiot can feel pain. Life is full of excuses to feel pain, excuses not to live, excuses, excuses, excuses."
Erica Jong

Há uns tempos já bons, vi num programa sobre Ciência a forma como o cérebro evoluiu. Desde os primeiros gânglios neurais, passando pelo cérebro dos repteis (do qual o nosso equivalente é o tronco cerebral) de características agressivas, seguindo para o cérebro dos pequenos mamíferos, que apresentam uma zona extra, responsável pela sensação de medo, de perigo e, finalmente, eis que os primatas chegam apresentando uma nova zona no cérebro: o neo-cortex, responsável pela maioria do raciocínio lógico, que, de alguma forma, acaba por controlar os outros dois 'cortex' mais "primitivos". Ou acabaria, se não nos deixássemos levar pelo medo. De facto, é tão fácil deixar que o cortex do meio controle todo o nosso cérebro. E é, de facto, um controlo porque quantas vezes não arranjamos argumentos lógicos que servem ao propósito de ficar encolhidos num canto, deixando a Vida, que deveríamos beber em tragos de gigante, passar ao largo como a formiga que não deixa marca por onde passa. O medo é uma reacção biológica útil, sem dúvida, mas somente em determinadas situações e de uma forma moderadamente controlada. A partir do momento em que a Razão é metida ao barulho, deveríamos ser capazes de travar a reacção, roubar as rédeas do controlo racional ao Medo e, assim, limitar o medo ao que é: uma emoção. Isto tudo para dar apenas uma justificação biológica a todo o processo que tantas vezes nos deixa paralizados, não em situações de "fight or flight" mas em oportunidades únicas que teríamos feito tão bem em agarrar. Contra mim, mais uma vez, falo. Mas tento aprender...

"Under all speech that is good for anything there lies a silence that is better. Silence is deep as Eternity; speech is shallow as Time."
Thomas Carlyle - Scottish author, essayist, & historian (1795 - 1881)
 
Pensado por Hélio
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Quinta-feira, 9 de Julho de 2009,18:38
"I have come to believe that the whole world is an enigma, a harmless enigma that is made terrible by our own mad attempt to interpret it as though it had an underlying truth."
Umberto Eco


Uma das primeiras lições que eu aprendi em Filosofia (longe vão esses tempos do 10º ano) é que o nosso ponto de vista é miope. Não me lembro se já o aqui tinha dito mas creio ser uma das maiores verdades que algumas vez me foram ditas. Nós não conseguimos acompanhar tudo o que nos rodeia, a nossa biologia não o permite, é natural... Frustrante mas natural. Imaginem o que era se conseguíssemos ver num espectro mais alargado de frequências electromagnéticas - não indo mais longe, alargando ao ultra-violeta e ao infra-vermelho: em dias de maior calor e intensidade luminosa, ficariamos praticamente cegos com a radiação UV que nos impediria de ver as restantes cores; de noite não conseguiriamos dormir pq não haveria grande escuridão. Mas também, certamente, que os nossos ritmos seriam outros...
Extrapole-se agora para outro nível. Quantas vezes tentamos perceber o que se passa à nossa volta, as reacções das pessoas, como se tentassemos ver coisas que estão noutra "frequência" ou noutro "canal" que, sem a aparelhagem necessária, nunca conseguiremos ver?... Era bom, não era? Mas essa necessidade premente, no que toca à compreensão (e que tem alguns mecanismos biológicos rudimentares), à empatia, à sintonia com outras pessoas é essencialmente substituida pela nossa mente. E aqui está a grande fonte de erro. A partir do momento em que utilizamos a nossa mente como ferramenta aproximada de empatia humana estamos a julgar as acções, a prever comportamentos, a definir emoções de acordo com a nossa experiência, ponto de vista, racionalidade e maneira de ser - em suma, de acordo com o que nós próprios somos. A lógica é simples - eu sou um Ser Humano, a outra pessoa também é, logo, a nossa maneira de ser é semelhante. Parece limpo, certo? Errado. Há uma falha gravíssima: todos nós somos diferentes. E sabêmo-lo, daí que, por vezes, tenhamos tanto medo daquilo que outras pessoas (que assumimos como diferentes de nós) pensam. Outras vezes temos medo precisamente porque sabemos o que somos e julgamos os outros capazes de fazer o que faríamos, mas isso está na outra ponta do espectro.

Do Ser Humano - que é parte integrante da Vida - extrapolamos para o resto da Vida. Arranjamos as mais diversas vertentes da Ciência para entendermos o que nos rodeia, para responder às míticas, clássicas, sempre-eternas questões de "Quem sou eu?" ou "De onde vim?", tudo com base na nossa Razão, e, consequentemente, no nosso ponto de vista miope. Tudo o que daí deduzimos sobre o funcionamento da Vida - esse grande Enigma - é, também, miope, aproximado apenas numa escala larga. Queremos descobrir o princípio subjacente da Vida, o porquê da Vida, assumindo que a Vida tem de ter uma Razão (eu também acredito nisso!); mas, quem disse que a Vida tem uma Razão de Ser? Já perguntaram a Deus (quem n'Ele acredita) porque é que Ele "É"? Ele, simplesmente, É. E nesta frase está tudo incluído: essência, justificação, princípio, meio, fim, tudo! Qualquer dedução lógica que encontremos, com base em qualquer prova que consideremos encontrar, será sempre subjectiva, afastada da Verdade. E, no fim, de que nos serviria saber tudo isso? As coisas seriam diferentes? Deus seria diferente, agiria de maneira diferente? A Vida correria de maneira diferente? Só nos aconteceriam coisas boas? Morreríamos primeiro, "enjoveneceríamos" e deixaríamos de existir com um orgasmo?... creio que sabemos a resposta a isso...

...Por isso, porque não, somente, "sermos"?...
 
Pensado por Hélio
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Quarta-feira, 8 de Julho de 2009,18:22
"It's a basic truth of the human condition that everybody lies. The only variable is about what. The weird thing about telling someone they're dying is it tends to focus their priorities. You find out what matters to them. What they're willing to die for. What they're willing to lie for."
David Shore, House M.D., Three Stories, 2004


Would they lie for their lives?...
 
Pensado por Hélio
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Terça-feira, 7 de Julho de 2009,18:32

“We confess our little faults to persuade people that we have no large ones.”
François de la Rochefoucauld

“People lie.”
Gregory House, M.D. (interpretado por Hugh Laurie)


Não é fácil ser autor de máximas. É preciso, quanto a mim, ter um olho atento, quase clínico e saber conjugar com um talento inato para a construção quase épica de frases que perdurem no imaginário.
Da observação atenta das pessoas e, mais ainda, do Ser Humano, tentando perceber as suas forças e fraquezas, conseguem retirar-se válidas conclusões que, por si só, já nos levariam imenso tempo a emendar, se disso tivessemos mesmo intenção. Mas quem quer emendar realmente as suas falhas? E, antes do mais, quem quer realmente enfrentar as suas falhas, os seus problemas, a sua natureza humana? É tão mais facil olhar para o lado e deixar as coisas passar, iludindo o próximo com jogos de luzes e movimentos, na secreta esperança que ninguém note e, assim consigamos manter a cara e a respeitabilidade.

“Shadows and dust, Maximus!”
Proximo (interpertado por Oliver Reed, no filme Gladiator)

Mas nunca se esqueçam que “a verdade é como o azeite: vem sempre ao de cima” e que até se pode enganar poucas pessoas por muito tempo, ou muitas pessoas por pouco tempo, mas nunca muitas pessoas por muito tempo. Só há uma solução, sem anti-piréticos, sem analgésicos: enfrentar-se, consciencializarmo-nos do que está mal e meter mãos à obra. Se é fácil? Não, não é. As coisas podem ter (e com certeza que terão!) raízes mais profundas que aquelas que poderiamos pensar e pelo caminho encontram-se coisas nada bonitas que é preciso enfrentar com a coragem do melhor guerreiro que alguma pisou este mundo.

Mas já imaginaram como seria a Vida se emendassemos todas as nossas falhas? Já imaginaram a bagagem que teríamos se tivessemos atirado tudo pela janela fora, restando apenas o essencial? Não acham que todo o combate que possamos fazer nesse sentido é um combate válido, como poucos o serão? E não, não nos estamos a combater a nós mesmos, porque este combate é feito com Amor (não o Amor que eu refuto num post algures abaixo, mas o outro que eu disse que era outra conversa – o Amor Universal). Estamos, isso sim, a lutar contra a Escuridão que nos atormenta, aquela que forma as Sombras mais escuras, que vive nas nossas falhas, que se alimenta dos nossos “podres”, que bebe das nossas lágrimas, que baila por entre os nossos pesadelos, que se alegra com as nossas mentiras e que se revela quando menos esperamos. Só se pode combater a escuridão com Luz, só se pode matar o Medo com Coragem e Pura Intenção. “Mas onde está a Luz? Onde é que a tenho?”, perguntam. É tão fácil!... Está no mais intimo de cada um de nós. Mostra-se no gesto carinhoso que temos com quem precisa, na coragem em enfrentar as situações desagradáveis, na força em prosseguir quando mais nada nos sustenta e o último fôlego quer sair dos nossos pulmões. Sim, está nos nossos Corações, está onde e quando nos sentimos genuinamente Nós, em todo o nosso esplendor, com os corações a arder por saber que estamos a fazer o que é Correcto. E assim que Ela brilha em Nós, todas as mentiras se desvanecem, todos os medos soçobram, só a Vida e aquilo que Somos em Essência permanece. Experimentem...

 
Pensado por Hélio
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Segunda-feira, 6 de Julho de 2009,18:59

Um dia vi-te passar, estava eu desprevenido. Devias ter-me avisado, apanhaste-me de cabeça para baixo, a olhar para os pés, em busca de qualquer coisa que me escapava à vista. Já nem me lembro do que era. Como que num vislumbre, apanhei-te pelo canto do olho, já de fugida... Dobravas a esquina movimentada e quase que te perdia. Mas quis algo que acabassemos por ter o mesmo destino e naturalmente acabei por te reencontrar num qualquer café onde parámos.

Sentavas-te à mesa e lias, encantadoramente, de gesto plácido, uma dessas quaisquer revistas de trivialidades, boas para passar o tempo e deixar morrer neurónios de tédio. Pelo jeito como subitamente abanaste a cabeça, impaciente, não tardava até que fechasses a revista. Impetuosa. Pediste um café, uma água das pedras e olhaste para o relógio. Atrasada. O dia estava meio encoberto, mas isso não impedia que o calor se fizesse sentir como se estivessemos nos trópicos.
Tive de sair, o tempo urgia. Saindo, ouvi alguem gritar um nome e vi-te virar. Sabia agora o teu nome e podia associá-lo ao teu passo leve e decidido, ao teu gesto descuidado pela vida, ao olhar seguro e malandro, à sensação que transmitias que sabias perfeitamente o que vinhas cá fazer e como o irias fazer. Sem dúvidas. O teu nome sabia a mil Verões de sabores, a mil aventuras pelo mundo fora, a noites que só na imaginação dos mais indomáveis se podiam conceber e saboreei-o à medida que calcorreava as ruas batidas dessa cidade em fim de dia. Nesses pequenos encantos que a cidade nos reserva, continuei à procura de novas arestas onde prender o meu olhar, pontos de atracção do espírito a transportar-me para outras paragens, outras vidas, outros ritmos que não o costumeiro, entediante e acelerado dia-a-dia onde me perco vezes sem conta...

...ora agora tenho de ir...?...

Transmutaste o meu passeio num passeio de memória fugaz. A cada esquina, em cada pessoa que aí se encontrava, recordava esse breve encontro e procurava nos seus olhos a mesma expressão, a mesma vida que vi nos teus. “Não sejas parvo, foi só uma moça gira que viste, como ela há muitas.”, dizia eu, abstraindo-me para mais uma viela de encantos escondida. Nas janelas, pessoas de idade observavam-me como se adivinhando os meus pensamentos, emitindo um juizo cru: “De que andas tu à procura?”.

Não o sei. Acho que já o soube, um dia, onde há muito tempo só haviam certezas e coisas doces na vida. Agora também as há mas são diferentes. O doce mudou, o salgado também. Têm um pouco de amargo e de ácido até, mas isso até lhes dá outro encanto, dá-lhes vida renovada, uma realidade realçada quase que a 3D que nos transporta para o local onde a primeira vez o saboreámos, nunca deixando de ser o que sou. E, como qualquer outra pessoa, eu sou a soma de todas as coisas que vivi, e de todas as coisas que ainda irei viver, convergindo num único e fugaz instante que continuamente quero apanhar para poder saborear a fundo. Como esta cidade onde passeio, feita de edificios, arruamentos e jardins, que não sabe onde começa e onde acaba, de faces escuras e faces luminosas, de rugas e superficies planas e que me trouxe à memória um vislumbre teu, que é tanto o que eu sou, quanto esta rua que piso e que me levará até casa.

 
Pensado por Hélio
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